Eu sou um coral dentro de um arquipélogo 1

Ao fazer 33 anos notei algumas mudanças. E eu estranho. Variações de humor tremendas tal qual ondas gigantes em meio ao temporal num mar arredio e destemperado. Outras com a calmaria de levar um marinheiro experiente a loucura, quase sem sair do lugar, com movimente tão ínfimos que um ponto de pressão não suporta a leveza de se pensar em ser. Por vezes ondas divertidas de praia como quem surfa ou pega jacaré com as crianças.
Nunca tinha percebido o meu mundo assim. Nunca tinha entendido a força da maré de amar e compreender algo tão insólito como a vida. Nunca tinha entendido a beleza de expressar e ter outrem a me entender sem ser por meio de meu Vesúvio pessoal e incandecente de agonias e alegrias.
Reparar as conchas, peixes, ostras, baleias, tubarões, golfinhos, golfos, baías, areias, praias, mangues, ovas, tartarugas, seixos, algas, caravelas, corpos e corais.
Eu era um desses. Imóvel agregando e gerando algo marinho, eu, coisa, crescente.
Eu me alimentava e me alimentava outros.Eu crescendo e crescendo outros.Eu abrigo e difculdade.
Mas mais volúvel e voluptuoso, mais areia e calcificação. Imóvel mas em constante mudança.
Tenho lá meus aliados e fixo-os em meus estreitos recônditos. Era um que se multiplicava em vários e sou vários ao mesmo tempo em forma de vida, em conceitos, em desamches em velhices em juventude e maturidade em confirmadades.
Uma vez em cresço em algo metálico que está ali perto. Me infiltro e arrebento estruturas, permeio e crio fissuras, transformo aquilo que não conhecia em algo meu. Sou adquirido e adquiro e ao mesmo tempo não faço parte mas sou conjunto. Separo, amparo, desmonto e recrio.
Não há nada de diferente nisso, só a minha percepção. Minha noção de espaço e conquista. Entendimento meio que tardio e luzidio no fim do crepúsculo.
Refletem em mim sons meio que gemidos e gerados a longos caminhos e correntes de distância, da mesma maneira que algo criado abandonado se valendo para ser ouvido mesmo sem esperança.
Seus sons desalinhados, desafinados e agudos fundem-se com o reflexo da luz em meus sentidos. Vivo também a partir disso. Eu como outros. Eu como outros e também vivo disso.
Tudo me estranha perece, parece derradeiro e imortal. As vistas de entendidos ou não é verdadeiro ou imoral é engendrado como um quebra-cabeça e irracional.
Não se compreende.
E eu quero, busco uma compreensão sobre isso. Mas só consigo entender parcamente o que sinto. E isso me confunde.

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