Arco-Íris

 

Foto: Tiago Viegas

Foto: Tiago Viegas

 

 

 

 

 

 

A lembrança fadada ao insucesso daquele homem tirando a comida do lixo era totalmente contraposta à imagem do meu arco-íris de agora.

Minha Íris não viu aquilo. Acho que meu arco e minha flecha que acertavam dentro do peito preferiram que ela visse outra coisa, um resto de esperança talvez. Mas eu vi o homem com fome achando naquele seu pote de ouro outro bem.

Eu teria aquela necessidade ou, como classe média, teria dado um jeitinho?

Sempre vejo homens e mulheres com fome, tenham eles dinheiro pouco ou muito, ou só um vale. Sempre os vejo assim e não sei se é de comida ou de conhecimento. Aquele homem sabia qual era a fome dele. Os outros não. Ligados a instintos terciários, desconectaram-se das necessidades básicas. Desconectando-se e estando mais presentes, talvez vissem sua real necessidade.

Aquele arco-íris me encheu de esperança talvez por ter acontecido num dia em que todos esperavam a pior chuva do ano, talvez porque fosse o prenúncio dela, e nem todos são uma espécie de Noé para poderem ser generosos ou altruístas e aceitar a diferença do próximo. Não choveu, mas muita gente teve medo e mostrou o comportamento irracional de quem deve.

Eu queria, num dia claro, aquele homem com um pote, não de ouro, mas com todo o ouro dos homens nas mãos e sem medo.

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