OCUPAR A CIDADE

PARQUE AUGUSTA

PARQUE AUGUSTA

OCUPAR A CIDADE

Fiz a minha primeira viagem para o exterior. Inevitável comparar com São Paulo e o seu atual momento. Eu sei que há muitas críticas de pessoas que falam que você é um paga pau do que vem de fora e não pensa na sua origem, na sua cidade, na construção do seu país. Não entrarei em uma análise muito mais profunda que a questão merece pois é uma constatação e serei superficial . Não vou cavucar lá no fundo, no cerne. Tem muita gente que sabe e faz isso melhor que eu. Eu sou um poeta, sou um sonhador, algo que vem e entende um sentimento e fica de resguardo até poder aparecer de novo e sair.

Lá fora vi museus, ruas, centro da cidade, história, tempo de saber a cidade. De conhecer mesmo a fundo e desde então comecei a notar aqui vários movimentos diferentes, não ligados a política, mas ligados a sentimentos como os de liberdade, de igualdade e a sensação de que a cidade tem que ser do povo e para o povo, sem a burocracia que conhecemos como política.

Aqui vi lindas intervenções artísticas com cartazes, algo entre o protesto e a arte. Vi então a cidade começar a pulsar. Fui a uma festa em pleno Minhocão a música com o grave que fez aquele objeto abjeto tremer. Vi aquele monte de gente lutando contra o aumento das passagens. Era ali então um novo jeito de se pensar e se estar nessa cidade. Era um novo jeito de ser nessa cidade. Era o que sempre se quis, a participação popular. Infelizmente alguns tomaram balas de borracha no olho e perderam a visão, outras na periferia levaram balas de verdade e perderam a vida em meio as chacinas ou foram feitas de arquivos morto. Nós, num tempo fora do próprio mundo perdemos a visão de que a vida vale mais.

Então depois de tudo isso, ao final de um ano muito conturbado e dolorido, me vem um monte de gente e tenta em meio à especulação imobiliária e desenfreada de São Paulo protestar por um Parque Público! Aquilo me encheu de esperanças novamente. Um lado verde de São Paulo onde eu só esperaria concreto, baladas, bebidas e não história, tranquilidade, civilidade, participação popular, engajamento por causas que de uma maneira ou de outra podem nos levar a momento de mudança.

É necessário então lutar e legitimar essa vida lá, dar o gosto a quem mora em todo lugar inóspito uma noção diferente da vida. Mas para isso é preciso lutar. É preciso lutar pra construir.

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