Nunca fui bom

Ludo

Ludo

Nunca fui bom. Também nunca fui bem nesse negócio de ter algum tipo de sucesso. Sempre fui desastrado e outras vezes ingênuo. Em outras fui arrogante, pretensioso, julgando-me infalível ou meramente uma pessoa que tem algum tipo de poder sobre as outras. Em questões de trabalho, só alcancei o que realmente queria aos quase trinta anos. Nunca tinha sido um ser ambicioso. Nunca quis ser um “winner”, pois acreditava que isso só seria possível pisando nas pessoas ou não poupando ninguém.

No amor (erótico), só fui ter uma correspondência evidente de afeto tardiamente também. Minhas tentativas, sendo eu um ser super-romantizado, sempre foram frustrantes. Meu desejo sempre foi de uma relação eterna. Nada é eterno.

Nos estudos, tive várias tentativas frustradas de obter um diploma de nível superior. Era arrogante, julgava sempre ter o entendimento perfeito das coisas e o mundo que estaria errado. A academia tinha ícones e eu, como bom jovem, tinha o desejo de derrubá-los, pois ali era o meu lugar.

Tinha e ainda tenho ótimos argumentos para todos esses problemas, utilizo falsos paradigmas ou fatos verdadeiros fora de contexto de maneira bem convincente. Eu acredito na dor que crio, por mais que as coisas da vida deem certo. Afinal, estabeleci a dor de poeta como profissão. Não me julgava um monstro ou um gênio, me sentir gênio era ser genuíno, mas a partir dessa visão sentia essa alavanca que me movia, o fracasso não era tudo e nem o sucesso também.

Encontrei o trabalho em que poderia ser passageiro como em todo e qualquer emprego.

Encontrei o estudo dos seres na minha escrita. Ali não derrubei nenhum vaso de cera que deveria acabar por seu próprio tempo.

Já no amor, ah, ali eu encontrei ícones, mitos, medos, selvas, loucuras, luz e aprendizado.

Depois que encontrei o saber do amor, o que é estar lado a lado, descobri outro tipo de medo, de ilusão, de questionamento, pensei: será que eu amava? Será que nesses meus devaneios eu amava mais, ou não amava, só desejava um lar, um circo, um arbusto seco, um lábio molhado, um diz mais de mim, um me fala tudo, uma ilusão de que seria capaz de saber que teríamos outro desejo e que o desejo tem de ser realizado. Não! Esse tipo de amor será sempre fantasia…

E fantasiando sempre vejo o amor assim, perto como a morte.

É, nunca fui bom.

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