Manhãs Quentes

maracujá-2

Era manhã quando, incomodado, abri os olhos e o calor começou a esquentar ainda mais o lençol e o colchão. A única coisa que eu queria era sentir aquela brisa noturna que me acalmava o sono.

 

São Paulo estava muito quente, as noites insuportavelmente escaldantes, não havia vento de noite e eu, para piorar, não tinha comprado ventilador, que parecia estar em falta também. O gelo no congelador não dava conta, durante a noite eram vários copos de água gelada, nem aumentando a potência da geladeira eu garantia o abastecimento da minha necessidade. Quatro litros de água por noite. Trocava de roupa de noite, e mesmo assim acordava molhado. Desisti e resolvi dormir nu. O estado era o mesmo.

 

Resultado: noites mal dormidas, olheiras, cervejas e mais cervejas e uísque, cigarro, cansaço, noites vendo filmes, séries, desenhos animados e ouvindo músicas.

 

Mas, sim, houve outra manhã quente, muito quente, e outra e mais outra, e muitas outras vieram, e as temperaturas subindo e o tempo ficando seco, por conta dessa poluição da cidade, deixavam tudo pior. Mesmo trocando a cerveja e o uísque pela água de coco e pelo suco.

 

Aquele calor que me consumia por dentro e por fora tinha que parar. Então mais uma vez tive que respirar profundamente para encontrar alguma maneira de meu corpo entender que tinha que se virar sozinho. Tentando aplacar meus desejos meu corpo transpirava, a respiração não queria arrefecer, não queria refrigerar o corpo. Tempo úmido. Tempo único. Tempo de me dar o conhecimento do que era sentir o corpo quente por todas as veias, vasos e neurônios e fazê-lo entender os meus anseios. E respirando, me acalmando, foi possível.

 

Mas veio você que me trouxe a essência de lavanda, me massageou o peito, me beijou a boca e disse “dorme, dorme, que ainda não amanheceu o dia. Descansa que em breve você vai acordar mais relaxado”.

 

Adormeço. Não tenho sonhos, tampouco pesadelos, apenas não trago as lembranças do dia, da noite, da vida, da bebida, do cigarro e processo de maneira a criar um entendimento que me sirva de análise em várias sessões de terapia e que me livre do medo.

 

Acordo e sei onde estou, procuro saber onde quero estar. Ponho minha calça social azul, minha camisa branca e calço os sapatos. Ainda transpiro. Ainda tenho a respiração alta, porém profunda. Ela vem e me oferece um suco de maracujá gelado. Derrubo na camisa o caldo amarelo. Meu peito então se acalma. Seus lábios também tinham gosto de maracujá.

 

 

Foto: Internet

Revisão: Kiel Pimenta

 

 

 

 

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