QUE NÃO SEJA A DESPEDIDA DE NADA, POIS ANDO MUITO DE AVIÃO

brasil

 

 

 

Pra mim sempre foi estranho me despedir, mesmo sabendo que vou voltar. Sempre fica o gosto de “agora que está bom, por que vou embora?”.

 

Não foi diferente nesta madrugada de segunda-feira. É necessário trabalhar longe para alimentar meus sonhos. É necessário me desprender e buscar outros horizontes. Outras possibilidades são víveres para me alimentar nessa jornada e a minha casa é o sentimento de coisas boas que carregarei comigo até o fim.

 

Pra mim, sempre foi estranho ir de um lugar a outro. O movimento de sair e de repente não mais fazer falta para aquele lugar como ele faz pra mim. O sentimento que brota disso é meu gasto de energia e o que me faz pensar em voltar.

 

Não foi diferente nesta semana. Eu fui, como já tinha ido tantas outras vezes, mas aquele lugar de partida tinha se distanciado de mim, já não me pertencia, eu não me enxergava mais fazendo parte dele. Então eu fui. Essa era a opção e não tinha mais o que me prendesse ali. Tudo ali seguia seu caminho independentemente de mim ou da minha existência. Não tive como não me lembrar como tinha sido feliz naquela casa, naquele espaço de som, luz e cor.

 

Esse foi o sentimento que tive hoje ao olhar a foto da minha casa em Brasília na infância. Acho que são sonhos e sentimentos dos meus pais que se arraigaram no meu peito e eu não tinha percebido. O momento da despedida é tão importante quanto a recepção da chegada. Talvez o sentimento que perpassa o inconsciente tenha ficado aqui nessa minha visão portuguesa de saudade de tudo. Oras, minha mãe é filha de português com cabocla, meu pai, de alemão com cabocla. Tudo para ter saudades de terras em que tenho raízes. Tenho tudo para ter saudades sempre, para sair, para tentar a vida em outras terras e me melancolizar.

 

Afinal, a sensação Brasília ainda bate quando estou assim sentimental num quarto de hotel e as lembranças de onde eu estive me chegam e se confundem em meu rosto troncho.

 

Ao final, um coração pulsante quando se vê assim, amado, sente que tem casa em qualquer lugar, pois o que se sente aqui logo se sente lá.

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