Virada

 

Vinho_Sangue_de_Boi

 

 

 

A cidade toda canta

toda canção conta algo que se sucede em tuas ruas e esquinas

todo canto dela tem a mão de alguma pessoa

tudo o que é dela tem mãos, pés, tráfegos, tráficos e ressoa.

 

Teu ritmo fortemente marcado por construções

disjunções, rupturas e dodecafonia

tudo soa

com suor de todo mundo

 

Ah canalha, que toda a população se desnude em felicidade

que todo mundo ocupe teus espaços imperfeitos

deixa de lado o teu conservadorismo a pose
faça acontecer a apoteose

deixa tudo ser uma massa alvoroçada só

 

Ah dona da risada, veja só o centro tomado

a periferia se refrescando acesa do peso pesado que a ronda faz

o bairro nobre apagado

o oprimido ressurge na noite para tomar pra si

o que de dia sua ética suicida lhe toma

 

veja tuas pessoas todas trans

transeuntes, transexuais, transantes, transgressoras,

transparentes, transpassadas, transitórias

deixa mudar, deixa fazer um carnaval fora de época

que vaze essa alma cercada desse arame farpado

deixa acontecer o relapso consciente de sua rotina

aconteça pauliceia desvairada em excesso.

 

 

Tiago Felipe Viegas Carneiro  16/06/2015

 

 

 

 

 

 

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