Sísifo

 

sísifo 1

 

 

 

 

carregar pedras era o que Sísifo fazia

daí seu corpo forte

daí seu peito grande e quadrado

 

pisava visando somente seu caminho

seus pilares

e suas pilhas hercúleas de tarefas e estafas

dia a dia se calava

comportava sua voz e trejeitos

por seu mecanismo saramagoniano

os seixos inundavam seu peito

subindo por seus pés

 

Carregava seu mundo e as agruras do mundo alheio

ser contra mestre também é ser escravo, mesmo num mar de pessoas

Seu gáudio, ostentar seu seus olhos sobre o peitoral lapidado

 

Despretensiosamente um pássaro verde esmeraldeado lhe passa

desdobrando a vista para uma via auxiliar do trajeto diário

sabe-se lá a razão mas ele desaba

e com ele as certezas do mundo alheio

 

– CONTRA MESTRE NÃO DESLIGA! CONTRA MESTRE NÃO SE DESPRENDE DE SEUS OBJETIVOS

 

Sísifo castigado

 

após a nona chibatada

Cansou-se, tentou respirar fundo suportar

os calhaus lhe impediam

se desencalhando deles se livrou

desconstruindo a base do que não lhe servia mais.

 

Sísifo, agora carrega agora feixes de lenha,

seus pés transformam em poeira a fraga e a poeira em barro dos pés

cria a própria massa

e a utiliza sobre as coxas para moldar sua telha

 

o peso e o quadrilátero no coração não existem mais.

 

 

Tiago Felipe Viegas Carneiro 08/10/2015

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