são sons sãos reais das ruas

 

poesia 2pm_1 negra laerte gêneropoesia 4

 

 

Só um ruído do ferro retorcido arranhando

sem dó o asfalto esfolado dos donos dos arranha-céus

que nos tiraram a paisagem.

 

primeiro

baque seco na ossatura jovem

que batalhadora será sempre castigada

caso ela não conseguisse alterar a própria realidade por meio de sua luta

 

segundo

baque seco vai direto à musculatura

que desenvolverá o esquizofrênico processo de libertação

de grana da sobrevivência com dignidade e maldição do ego

superando a essência de olhar pra dentro do umbigo misógino

 

terceiro

o grito ardido da mulher que em luta

é violentada

mulher que quando se sobressai é violetada e cactosa

vira púrpura flor que vai a guerra por si enfiando seus espinhos e mudando

aquela repressão da mão direita do patriarcado ao entrar no terreno das relações

 

tiros, gazas, gases, cusparadas, envergadas, dores

todos os reprimidos fazendo história pelos os que deveriam enxergar os iguais

ritos, ritmos, asas cortadas pelos algozes engaiolados subalternos

e suas tapadeiras sistêmicas, espírito de autocrítica ausente, pois num momento de reflexão

o dever é o silêncio para que se ecoe o que vem fora e se faça renascer

o que será o sorvedouro de saber de outras épocas

Chico ,reproduzindo ao seu contento, já disse que do mangue sai a nova forma

que ocupa o cais de estrelas pequenas que ganharão o resto do país

 

mulheres enfileiradas arrancando porretes e armas de homens que são seus filhos

mulheres, dantes  subestimadas e agora amazonadas, agarrando seu destino

e tomando dos incompetentes hetero-gêneros o poder de decidir de igual para igual

a real condição da condução da sociedade.

 

O sabedouro do conhecimento gênero feminina negra oprimida

vindo contradizer o mundo:

– Sou seu reflexo, sua evolução e sua nova forma!

 

Desperto de meu sonho

Uma mulher digna é avacalhada por uma série de ímprobos canalhas

um gênero X é achincalhado por ter vasta razão da práxis social que visa o bem total

 

Desespero, pois meu sonho parece perto,

porém é distante

Exaspero pois, tal conceito

está mais para boca do cancioneiro

do que do desejo tirado na noite de ontem na boca do pássaro treinado do realejo.

 

Uns criação de acessos aos sonhos

Uns criação de abscessos nas intrigas

 

ao fim do meu sonho o que me preocupa

sempre é a violência como as coisas da realidade acontecem.

 

Faixas, cadeiras, peitos escritos, aulas, comportamentos diários, verdades alastradas

sempre é a esperança que me faz acordar no dia seguinte e tentar mudar.

 

Tiago Felipe Viegas Carneiro 03/12/2015

 

 

ps: o que me inspirou a poesia foi a menina mulher da pele preta apanhando da PM-SP durante protesto em SP enquanto ela agarrada a cadeira resistia à brutalidade do “homem da lei”. Como não encontrei essa imagem ficam outras representativas desse momento histórico porém triste, onde se estudantes são tratados com a mais dura das repressões pós-ditadura.

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