eu e a minha raiva

Final de semana gostoso. Música de alta qualidade. Sentimentos de alta qualidade. Arte. Muita arte.

Bem, não me reconheci relendo meus escritos como um artista. Um artista tem outra pulsação, tem outra entrega. E eu, eu pra sentimento tenho muita entrega, mas não tenho técnica. Tenho coisa entalada, tenho coisa enlatada, tenho memória revisionada e pré julgada, mas não tenho arte.

Tenho exposição, tenho o mínimo do espírito crítico porém não liberto a designar o mesmo nome malfadado de outros sentimentos que julgo meus.

Não, não tenho “ars”, não, não tenho sutilezas e abrangências de discurso e delicadezas de estilísticas. Nunca veio do meu peito uma história para contar pra filha, sobrinhos e gente bonita que me rodeia.

Tenho um eu. Esse eu não me satisfaz. Tenho um, um, e um não é nada pensando que que ele não é partilhado em ares de in(de)formações.

Um, um não é nada em meio a mares de comoções. Um, um é coisa findada em várias vertentes de vórtices sem noção. Um, um é alma penada, desalinhada e fidedigna de baratas emoções.

Não, hoje um é nada. Sim, hoje um é nada. Nada inconsciente. Nada com nada abrangente, nada com nada pois ponto após ponto é tangente até a curva quebrada.

Palmas, inveja, palmas pelo ereto e retina marejada. Planas, palmas agudas e fecundas de graça alcançada. Trabalho e pena. Pena e suor. Dor e mais dor calejando o ofício seguro das horas de estar arte, do ofício de ser estandarte. De se fazer ser pra sair da sombra.

Todos querem e buscam o mesmo caminho da marca, da audácia, da averiguação final final perante o conjunto todo. E, eu que não viveu, que viu, que permaneceu que tentou e não se ouviu e que, e que e que e que e que quase se lançou.

Mas a ponta de lança que fere o ar, rompe embargos, barcos, carros, carruagens e seus motores é minha chama e ela me traz de volta, me alcança.

Ela me rompe e enlaça, me joga na lama.

Sou consciência parada, cimento prensado em mar de quem não se anseia, medo da liberdade que arte dá, do incômodo de realizar diferente, que é inerente ao trajeto que a curva acentuada dá.

Abjeto, absorvo, absinto, labirinto que me perco num caminho de que crer que para entrar é preciso sair. Sair não é preciso, entrar é o que necessito.

Surtar e aglutinar é preciso. Ser liso e remontado entre re-interpretações de si mesmo não é preciso. Estar, ser, pensar, imaginar, se desgarrar, se desbravar, é dentro de si  ser conquistado.

Fodam-se as modas, as correntes, os inertes, as coerências explicáveis, os acertos que são erros aceitáveis e as questões inerentes. Fodam-se os tubérculos, os mamíferos e as idéias inocentes, as carnes, os karmas, as cristas, as ondas, os empoderamentos fakes de classes que fazem do ódio seu passatempo para constranger o auto conhecimento alheio.

O meu foco não deveria ser só naquele outro, mas no que eu quero construir em mim.  E foi. Construído e realizar.

Não consigo desvir e largar mão do óbvio e deixar fluir meu caminho.

Todos são ótimos e livres ao acreditar que são. Eu sou louco por não seguir e me cegar.

Tiago Felipe Viegas Carneiro 06/11/2017

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s