Sinal Invertido

Juliana Cordaro

Desenho: Juliana Cordaro

Eu tive que falar com todos as pessoas que conhecia

Menos com você

Eu senti saudade de todos eles, um por um

Não era de você

Eu quis criar um ambiente em que todos eles estivessem de alguma maneira aqui

Não você

Não pedi você aqui

Nada podia impedir você aqui

Era impossível

Por não te pedir

Por não te impor limites de existência

Eu não quis você aqui

Você aqui seria limitar a tua existência ao meu querer

Isso não seria justo contigo, espírito livre

Não aprisiono quem eu amo.

E você é a concretude da liberdade

Sua existência não implica em presenças óbvias

Sua luz não deixa de existir em meio ao emaranhado de alegrias que frutificam em visões lisonjeiras aos meus olhos desatentos e repletos de belezas

Então como fazem os crentes transformei minha dor de tua ausência numa poesia.

Algo que faz, mesmo você longe, criar em mim, o bem-estar de tua presença.

Frutifiquei do pé, o horizonte esperado

Pela amplidão dos meios, a voz alcançada

Da imagem ilícita gravada no abraço da memória, pois não pedi tua autorização, na poltrona em frente à minha, o sorriso sobre as minhas angústias e sepulcradoras conquistas

Dizendo verdades e fazendo labirintos retos que as minhas questões não pedem

Você não é um achado, é uma espécie de verdades em que as escrituras sagradas e o conhecimento palpável dos hindus chegam até a minha pessoa.

“They say ev’rything can be replaced,
Yet ev’ry distance is not near.
So I remember ev’ry face
Of ev’ry man who put me here.
I see my light come shining
From the west unto the east.”

Cito esses versos com outra direção de sentido

Com o amor de quem me colocou aqui por partilhar

e não por roubar algum movimento da vida

Lembro de você agora por traço refletido da luz da lua no eclipse lunar vermelho nas nuvens densas nordestinas

Lembro de você porque sangramos juntos de alguma forma, mas passa

Lembro que nos embebedamos juntos, mas passou, com ressaca, com mérito

Lembro que muitas piadas me passam agora e outras passarão

Mas nada passa a ausência de repartir qualquer momento de alegria reflexiva contigo

E a brincadeira era dar o sinal invertido de novo, no final da história, da poesia, de uma poesia que não era minha, que era de que a voz de alguém preso, cantado por alguém liberto sua liberdade incerta.

Hoje a minha liberdade para consigo é dizer-lhe das faltas emergidas dos caminhos da vida.

E hoje era o dia de dar tudo o que tinha para todos os amigos.

E que seja sempre assim, longe ou perto.

É que nesses dias de caminhada curta ou nas longas, a tua presença se faz certa.

Tiago Felipe Viegas Carneiro  28/07/2018

Para Ana Carla , Anna, Denise, Douglas, Fábio, João, Juliana, Mário, Sardinha, Saulo, Victor, Vivian, Viviane, (por ordem alfabética)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.