IDELBRANDO

Várzea. Visceral. Uma metralhadora de sentimentos sem sentido. Vazio. Se preenche, se sente ausente de si mesmo de uma forma conivente. Falsário, asqueroso, vírus em meio vivente.

Idelbrando, na luta suada pra sair da cama. Rolar direto pro colo do sofá. Levanta a mão e pede pro gato largado na almofada um copo de leite. Tanto tempo pensando num caminho futuro celeste. Imprescindível sua habilidade, cozinha bolos, faz alface, abobrinha. Sonha caviar de Beluga em tapetes de fios de molhos lisos.  Desmorona ao ter que levantar para agir. Ágil, fácil, a língua lépida fala para luzir os olhos do ouvinte.

Ah Ildebrando, quanto tempo nessa jornada camarada? Quanto tempo num vai e vem cremoso e longínquo da tua realidade? Teus desejos mudam, se desfiam e nada, não é? Deuses e delícias não te tiraram desse caminho. Você nasceu sentado. E agora está aí sentando na vida e não deixando ela fluir.

Creia Ildebrando que tudo poderia ser diferente. Você poderia malhar, surfar, correr, ir atrás de mais e persistir. Mas não o que você faz Ildebrando, não assim, se apoiando no outro de maneira parasitária e simbiótica. Assim não meu irmão. Deixa de ser um oxiúro. Por esse caminho não. Vai pela frente, por cima como um peixe entre corais. Vai pela vida como um cachorro vira lata que dá alegria mesmo sem o osso gasto do frango à passarinho a lhe ser servido na calçada do boteco.

Tira a ideia de ser o outro disfarçado de você. Você não é o outro. Tira esse disfarce do sorriso fácil e aceita a verdadeira reflexão, aquela que vem do centro, da verve uterina, intracraniana aonde os ecos das merdas transmutam. Aceita a luta Ildebrando, aceita o mundo caindo em cima de você por causa de seus erros. Não canta um samba carne de vaca e sorri, não canta e dança a música cult do momento e diz o que o livro do mestre de ensinamentos passou pica depois de abusar da seguidora.

Passa uns dias enfurnados sem luz e água. Passa uns dias com mínguas e mágoas, remoí e regurgita e come de novo. Deixa o choro sair e pasta, pasta sem molho, com lágrimas nos olhos.  Daí e só daí corrige teu tempo. Te faz delícia, te conjunta num fêmur fogoso de vida. Mas pensa, fogo só existe com lenha pra queimar, e queime, queime até acabar.

Uma vez queimado, seja qualquer um desses comuns, os que constituem arcabouços, os que não dormem debruçados em uma chaise longue esperando o bem pago feito a si, os que erguem as mãos pra comemorar a lua do primeiro salário, que se digladiam com o púlpito ignorante da verdade.

E depois de tudo durma feliz.

Você sempre acorda pra lutar de novo independente de algum deus.

Tiago Felipe Viegas Carneiro 18/08/2018 – 18/12/2018

 

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